top of page

ESPECIAL Rio Innovation Week: Ecologia como tecnologia social

  • Foto do escritor: Elaine Silva
    Elaine Silva
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

O Pegada Sustentável tem como uma de suas principais missões contar histórias de impacto socioambiental. Quando vi o tema do painel “Ecologia como tecnologia social”, no RIW, sabia que teria coisa boa e eu estava certa. O debate trouxe um olhar integral para iniciativas ambientais que surgem junto às lutas e mudanças sociais que as sustentam.


Moderado por Rafael Vianna Avila, CEO da consultoria Sustentabilidade Agora, o encontro reuniu Renata Moraes, presidente do Instituto Motiva; Taciana Abreu, diretora de Sustentabilidade da Riachuelo; e Daniela Vidal Pavan, diretora de Sustentabilidade & Institucional da Cidade Center Norte.


Painel Ecologia como tecnologia social
Painel Ecologia como tecnologia social

Taciana Abreu, da Riachuelo, apresentou o Agro-Sertão, iniciativa que conecta agricultura familiar, regeneração da Caatinga e a própria cadeia produtiva da moda. Em parceria com a Embrapa, o projeto recupera o cultivo do algodão no Seridó, no Rio Grande do Norte, atividade profundamente afetada pela praga do bicudo na década de 1980. A produção é agroecológica, sem agrotóxicos, com aproveitamento da água da chuva e uso de biofertilizantes e defensivos naturais. Desde 2021, mais de 247 agricultores foram beneficiados, mais de 270 hectares da Caatinga foram regenerados e 169 toneladas de algodão agroecológico em rama foram colhidas em 17 municípios.


O Instituto Riachuelo garante a compra de 100% do algodão em pluma produzido, que segue para as fábricas e se transforma nas roupas vendidas pela empresa nas suaslojas. Em 2025, mais de 70 mil produtos ligados ao Agro-Sertão chegaram ao mercado. "É a cadeia da moda sendo utilizada como instrumento de regeneração. Recupera-se o solo e uma atividade tradicional do semiárido enquanto se gera renda, fortalece-se a segurança alimentar e se cria valor econômico”, contou Taciana.


A transformação dos territórios também apareceu na fala de Renata Moraes que presentou a estratégia do Instituto Motiva (ex-CCR), companhia que atua na administração de rodovias, sistemas de mobilidade urbana (como metrôs e barcas) e aeroportos. A proposta do Motiva parte de uma mudança de perspectiva de que a mobilidade não é apenas levar pessoas de um ponto a outro, mas pode funcionar como instrumento de desenvolvimento social. Em 2026, o Instituto lançou o projeto "cidades de 15 minutos", inspirado no urbanista Carlos Moreno, tem como base para um modelo de desenvolvimento territorial que articula mobilidade, comunidades e urbanismo social em 20 territórios próximos às operações de rodovias e trilhos da companhia, A iniciativa prevê investimentos de R$ 1 bilhão até 2035 em 20 territórios prioritários, aproximando infraestrutura, trabalho, cultura e serviços essenciais das comunidades. A visão dialoga com o conceito de cidades policêntricas, nas quais educação, saúde, trabalho, lazer e serviços estejam mais próximos da vida cotidiana das pessoas.


O Instituto Motiva também criou o programa Escolas Baseadas na Natureza (EBN), uma parceria técnica com o Instituto Crescer e o Instituto Alana, que coloca a natureza no centro da educação pública. Além da formação de professores, a iniciativa estimula intervenções como hortas pedagógicas, jardins de chuva, pátios naturalizados, captação de água e espaços de aprendizagem ao ar livre. O EBNjá alcançou 144,5 mil educadores, com impacto indireto sobre 3,5 milhões de estudantes em 280 municípios. “Aqui, a natureza deixa de ser apenas conteúdo ensinado dentro da sala e passa a fazer parte do próprio espaço de aprendizagem”, avaliou Renata.


Já Daniela Vidal Pavan mostrou como a Cidade Center Norte (que inclui o Shopping Center Norte, Lar Center e Expo Center Norte) adota um rigoroso plano de gestão sustentável com foco na meta de "Aterro Zero", utilizando reciclagem avançada, classificação óptica de materiais, compostagem de resíduos orgânicos e uma estação própria para tratamento de esgoto e reúso de água



Única empresa brasileira certificado como Empresa B desde 2024, a Cidade Center Norte faz parte, utiliza a própria operação de seus empreendimentos como plataforma de impacto. Na Horta Social, por exemplo, resíduos orgânicos são transformados em composto para o cultivo de alimentos destinados a organizações sociais. Em 2024, cerca de dez toneladas de resíduos orgânicos foram encaminhadas à compostagem, contribuindo para a produção de mais de 9 mil mudas e beneficiando aproximadamente 4 mil pessoas.


A mesma lógica aparece na Central de Gerenciamento de Resíduos: materiais recicláveis dos empreendimentos são separados e comercializados, e 100% da receita gerada é destinada a projetos sociais do Instituto Center Norte. Só em 2024, foram mais de R$ 400 mil revertidos para essas iniciativas. A companhia resume a proposta como direcionar “toda a renda da Gestão de Resíduos para transformação de vidas”. O impacto se estende à capacitação e à empregabilidade, com iniciativas voltadas aos moradores das comunidades vizinhas.




 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page