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ESPECIAL Rio Innovation Week: O despertar do universo consciente

  • Foto do escritor: Elaine Silva
    Elaine Silva
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Sou uma consumidora contumaz de tudo o que o físico, astrônomo, escritor e professor brasileiro Marcelo Gleiser, reconhecido internacionalmente por seu trabalho em cosmologia, produz. Há alguns anos, descobri que, apesar de minha formação e natureza serem essencialmente de humanas e, portanto, eu não saber absolutamente nada sobre cálculos, a astrofísica me encanta. Foi então que conheci a divulgação científica clara e objetiva feita por Marcelo Gleiser, capaz de atrair e despertar a curiosidade de leigos como eu. Maratonei a série Física para Poetas, que ele produziu durante a pandemia, e estou lendo pela segunda vez um dos livros que mais impactaram a forma como vejo o mundo nos últimos tempos: O Despertar do Universo Consciente. A obra, uma das muitas escritas por Gleiser, aproxima ciência, filosofia e espiritualidade em reflexões sobre o universo, a natureza e a condição humana.



No RIW, Gleiser partiu da história do cosmos para mostrar a extraordinária trajetória da matéria, do Big Bang e do nascimento das primeiras estrelas à formação dos planetas e ao surgimento da vida. O salto seguinte dessa história, como contou, é ainda mais extraordinário: em algum momento, a matéria tornou-se viva e, bilhões de anos depois, desenvolveu inteligência e consciência suficientes para investigar a própria origem. “Nós somos a maneira como o universo conta a sua própria história”, afirmou.


A dimensão do universo, portanto, não deveria, para ele, nos fazer sentir menores, já que cada planeta possui uma história própria e não existem duas Terras idênticas. Como explicou, até hoje, apesar de toda a exploração espacial, não encontramos evidências de vida fora daqui. “Quando uma coisa é única no universo, ela não é insignificante, ela é incrivelmente relevante”, disse.



Gleiser avalia que essa singularidade torna ainda mais urgente nossa relação com o planeta e rejeita a fantasia de que Marte ou qualquer outro lugar possa funcionar como uma espécie de plano B para a humanidade diante da degradação ambiental: “A nossa saída é entender a nossa relação com a Terra e como que a gente pode preservar esse planeta mágico que a gente tem aqui”.


O cientista também trouxe uma reflexão sobre a IA para a conversa. Enquanto a inteligência que conhecemos está associada à vida, ao corpo e à experiência, algoritmos podem imitar comportamentos e emoções humanas, mas não vivenciá-los. Uma máquina pode simular uma conversa, mas não sente dor, não chora, não experimenta fisicamente o mundo nem oferece o abraço de que alguém precisa.


O risco, para ele, está em confundirmos uma simulação cada vez mais sofisticada com uma relação humana. Se as redes sociais inauguraram uma economia baseada na captura da nossa atenção, ele identifica na IA uma fronteira ainda mais delicada: “Você vai para uma sedução da atenção, uma sedução do afeto. Elas querem literalmente seduzir a gente, para que a gente goste delas”.



No fim, sua viagem pela história de bilhões de anos do universo desembocou em uma ideia ao mesmo tempo científica e profundamente humana: somos parte de uma história cósmica extraordinariamente improvável, e preservar a vida e o planeta talvez seja uma das responsabilidades mais importantes dessa consciência.


Professor no Dartmouth College, nos Estados Unidos, há três décadas, Gleiser recebeu, em 2019, o Prêmio Templeton por sua contribuição ao diálogo entre ciência e questões existenciais. Ele também desenvolve um trabalho voltado a empresas chamado Ilha do Conhecimento, que promove imersões para lideranças e pequenos grupos na Toscana, na Itália, no Oratorio di Barottoli. A proposta combina ciência, filosofia, natureza e autoconhecimento para estimular reflexões sobre liderança, propósito e os desafios contemporâneos.



 
 
 

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