ESPECIAL Rio Innovation Week: um oásis de conhecimento itinerante
- Elaine Silva
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Uma pequena pausa na série Pegadas do Yoga para falar da edição 2026 do Rio Innovation Week (RIW), uma das maiores conferências globais de tecnologia e inovação, realizada anualmente no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. No evento deste ano, o tema central, “Um olhar através da Ética”, propôs reflexões sobre como desenvolver e aplicar tecnologias de forma responsável, inclusiva e sustentável.
Foram muitos estímulos visuais e sonoros, mas o que mais me impactou foi observar a diversidade de pessoas circulando por ali, de diferentes faixas etárias, perfis e tribos, além da enorme pluralidade de assuntos abordados. O evento reuniu não só empreendedores, investidores, grandes empresas e startups, mas também professores, estudantes, entusiastas da inovação e até crianças, que puderam se divertir com as atrações sensoriais.
Diante de um universo vasto de conteúdo, passando por tendências tecnológicas, mudanças climáticas, longevidade, astrofísica e mercado de trabalho, até chegar às oportunidades de negócios que estão desenhando o futuro, consegui acompanhar menos de 1% do que foi oferecido. Ainda assim, tive a sorte de passar por discussões que continuam reverberando.
Desejar somente o que as máquinas podem dar
E uma dessas sortes foi saber mais sobre o livro O Monge, o Iogue e o Faquir: Corpo, Coração e Mente no Tempo das Máquinas, lançado por Ronaldo Lemos no RIW. Acompanho a trajetória do autor há anos e nutro enorme admiração por seu trabalho. Lemos, um dos criadores do Marco Civil da Internet, é advogado, professor e pesquisador especializado em tecnologia, inovação, internet e regulação. Atua no debate público sobre inteligência artificial, cultura digital e os impactos das novas tecnologias na sociedade, além de assinar uma coluna semanal no jornal Folha de S.Paulo.
A proposta do livro é recuperar, dentro de cada um de nós, a possibilidade de retomar o controle sobre a própria vida diante da tecnologia. Lembrar o caminho do faquir para fortalecer o corpo, sem se tornar prisioneiro da imagem; usar o caminho do monge para educar as emoções, sem se afogar nelas; e seguir o caminho do iogue para afiar a mente, sem se entregar ao culto da produtividade.

No papo com Iona Szkurnik, CEO & Founder da Education Journey, o autor trouxe uma reflexão sobre os efeitos da inteligência artificial na relação das pessoas consigo mesmas, com o trabalho e com os outros. Ao falar sobre o risco de delegarmos cada vez mais nossas escolhas e relações à tecnologia, recuperou uma frase de um escritor francês citado em seu livro que, segundo ele, ajuda a traduzir esse dilema: “O problema não é a proliferação das máquinas. O problema é a quantidade de pessoas que estão se acostumando, desde a infância, a desejar somente o que as máquinas podem dar”, destacou Lemos.
Ele alertou especialmente para o risco de a inteligência artificial deixar de ser utilizada como ferramenta e passar a ocupar o lugar das relações humanas, inclusive em momentos de vulnerabilidade emocional. Ao abordar o uso da tecnologia no trabalho, destacou que delegar processos de escrita e pensamento à IA pode comprometer a atividade mental e a retenção do conteúdo, enquanto seu uso eficiente também abre possibilidades extraordinárias de produtividade.
O contraponto é o que chama, no livro, de “êxtase da produtividade”: uma lógica em que a tecnologia pode intensificar a autoexploração, a cobrança por desempenho permanente e o cansaço. A partir de sua própria experiência de crise, Lemos também falou sobre a importância de recuperar o equilíbrio entre corpo, mente e emoções. O livro nasce justamente desse percurso e reúne saberes que, segundo ele, gostaria de ter conhecido naquele momento de sua vida, com a intenção de ajudar outras pessoas a reconhecer sinais de desequilíbrio e, eventualmente, evitar um colapso.









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