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ESPECIAL Rio Innovation Week: Economia prateada

  • Foto do escritor: Elaine Silva
    Elaine Silva
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

O aumento da longevidade está impulsionando um dos mercados mais promissores do século XXI e, ao mesmo tempo, impondo novos desafios para empresas, governos e sociedade. Em debate no RIW, especialistas defenderam que transformar a chamada economia prateada em valor econômico e impacto social passa pela articulação entre inovação, empreendedorismo, investimento, tecnologia e, sobretudo, diferentes gerações.


Moderado por Luiz Mandarino, diretor da Energy Summit Global, o painel reuniu Alex Lucena, diretor de Inovação da UniCarioca; Mônica Vianna, CEO da Deep Tech Lab; e Marília Duque, líder de Nova Longevidade da Ashoka. Entre os temas discutidos estiveram saúde, mobilidade, educação continuada, inclusão digital, mercado de trabalho e a necessidade de desenvolver métricas capazes de dimensionar o impacto da longevidade.


Economia Prateada 50+ Ecossistemas que Transformam: Conectando inovação, empreendedorismo e longevidade
Economia Prateada 50+ Ecossistemas que Transformam: Conectando inovação, empreendedorismo e longevidade

Mônica Vianna, da Deep Tech Lab, destacou que o avanço da idade precisa ser acompanhado pelo aumento dos anos vividos com saúde. Nesse cenário, tecnologias de biotecnologia, medicina de precisão, monitoramento e mobilidade tendem a ganhar espaço, assim como soluções que permitam às pessoas permanecerem profissionalmente ativas. “Vamos envelhecer, e isso é inexorável e esse é o melhor cenário”, afirmou. Para ela, o desafio é aproximar anos de vida de anos de vida saudável e abandonar uma visão da população 50+ baseada apenas na idade cronológica.


A executiva também chamou atenção para a necessidade de rever a maneira como empresas e sociedade enxergam a longevidade. “Precisamos mudar os óculos para mudar as narrativas e o modelo mental. E, para isso, precisamos de métricas”, defendeu. Segundo Mônica, embora a grande maioria das organizações reconheça a importância de gerar impacto, poucas efetivamente o mensuram, dificultando a avaliação dos resultados de iniciativas de inclusão.


Na educação, Alex Lucena apresentou a experiência da UniCarioca para aproximar universidade, mercado e diferentes gerações. Uma das iniciativas reúne estudantes e profissionais experientes na solução de problemas reais de organizações. Entre os exemplos citados está um projeto desenvolvido por alunos para apoiar a triagem de pacientes do Hospital Municipal Salgado Filho. “Estamos colocando mentores de cabelos brancos junto com a garotada. Eles trazem experiência, vivência, visão e estruturação”, explicou.


Para Lucena, a diversidade geracional pode ser um ativo de inovação, desde que as organizações saibam administrar diferenças e egos. Ao apontar caminhos para o Brasil avançar na economia prateada, resumiu a necessidade de valorizar o conhecimento acumulado: “É preciso ouvir as pessoas mais experientes.”


Já Marília Duque, da Ashoka, destacou que o envelhecimento precisa deixar de ser associado apenas à dependência para ser compreendido também a partir do protagonismo das pessoas mais velhas. Para ela, essa transformação exige rever os indicadores usados para enxergar a longevidade. “Precisamos mudar os óculos para ter dados, mudar as narrativas e, assim, mudar o modelo mental”, afirmou. Segundo ela, embora 98% das organizações consultadas reconheçam que suas iniciativas geram impacto, apenas 5% demonstram preocupação em produzir métricas capazes de mensurá-lo. “Sem métricas, não conseguimos tangibilizar o que acontece quando ampliamos o acesso.”


O debate também abordou experiências de conexão intergeracional voltadas a desafios comuns, como a solidão entre idosos e a saúde mental dos jovens. A ideia defendida é que reunir gerações em torno de um problema concreto ajuda a romper estereótipos e criar vínculos: quando existe um propósito compartilhado, as diferenças de idade perdem protagonismo.


Outro ponto levantado foi a importância do Plano Nacional de Cuidados e de uma visão integrada sobre o envelhecimento, que considere educação, moradia, saúde, trabalho e inclusão digital. O baixo nível de escolaridade de parcela significativa da população brasileira foi apontado como uma barreira adicional, já que o letramento influencia diretamente a capacidade de acompanhar a transformação tecnológica.


 
 
 

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